Conheça as iniciativas que buscam garantir a segurança das mulheres no GP de São Paulo de F1 de 2024
- Júlia Palomares Aro

- 2 de nov. de 2024
- 4 min de leitura
Acontece neste final de semana o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1. Para garantir a segurança especialmente do público feminino, que já sofreu assédios em outros GPs, iniciativas foram criadas. Saiba como mulheres podem se proteger e buscar apoio no Grande Prêmio:

1. Respect Women
A história do projeto Respect Women começa em 2018, quando depois de ficar 4 anos sem frequentar o GP por receio de ser de novo desrespeitada e perceber que o assédio não era algo isolado, Beatriz Rosenburg criou o projeto. A fã de automobilismo teve a ideia de preparar adesivos para que as mulheres com ele se identificassem, pudessem contar umas com as outras e assim criassem uma rede de apoio.
A princípio, o Respect Women contava com 30 adesivos. No GP de 2024, já são mais de 3 mil, e a campanha está presente em todo o autódromo. Além disso, o projeto se expandiu, passando a marcar presença nas redes sociais, como Whatsapp e Twitter. No whatsapp, agora existe um no qual as mulheres trocam informações e se organizam para que ninguém assista à corrida sozinha, o "Interlagos Safe".
Em conversa com o box box boletim. , a criadora do projeto fala sobre o apoio crescente do Respect Women: "Acho que o apoio vem crescendo a cada ano e o número de mulheres que se conecta com a gente vem aumentando de forma significativa a cada ano, o que corresponde com as estatísticas divulgadas pela própria organização do GP que vem mostrando o aumento da participação feminina no evento. Isso é bem legal e é algo que anos atrás seria difícil de imaginar. A campanha respect women começou no GP de 2018 com 30 adesivos feitos por mim e hoje são mais de 3000 a partir de financiamento coletivo que acontece no grupo Interlagos Safe. É bem legal ver como as meninas e mulheres se engajam com o propósito da campanha e como elas se ajudam mutualmente respondendo dúvidas, trocando experiências e até combinando de se encontrarem no caminho do evento".
A respeito do espaço crescente ocupado por mulheres no automobilismo, Beatriz acrescenta: "Se a alguns anos nós éramos uma minoria bem mínima, hoje esse cenário vem em um processo de mudança. As mulheres ainda estão em menor número mas está crescendo ano a ano. Acho que essa mudança também torna o ambiente menos hostil para as mulheres, porque se encontramos mais representatividade vamos ocupando mais os espaços e isso acaba também desistimulando comportamentos não aceitáveis".
Para mais informações sobre o projeto e como fazer parte, confira o perfil @thelap1 no instagram.
2. Girls Like Racing
O Girls Like Racing foi criado quase sem querer, revela Érika Prado, engenheira da Fórmula 4 que guia o projeto. Nas palavras dela: “o projeto se transformou em realidade sozinho”. Em 2018, nas arquibancadas do GP do Brasil e ainda não nos boxes, Érika recebeu a sugestão de criar um grupo para que mulheres pudessem conversar sobre Fórmula 1. Um tweet sobre o grupo foi lido no SporTV e o crescimento a partir daí foi exponencial, com cada vez mais mulheres se juntando para falar de automobilismo.
Érika conta que, na época, o grupo se chamava “Mulheres na Fórmula 1”, mas as conversas ultrapassavam os limites da categoria, indo da Indy à Stock Car. Por isso, resolveram alterar o nome, foi quando surgiu o “Girls Like Racing”. No ano seguinte, 2019, o grupo criou uma conta no Instagram onde mulheres falam sobre automobilismo, o projeto continuou a crescer. “Foi uma coisa que foi puxando a outra e o meu sonho sempre foi e continua sendo trazer mais mulheres para o esporte”, conta Érika sobre a naturalidade de como as coisas aconteceram no projeto.
No GP de 2024, o Girls Like Racing conta com um grupo de correspondentes em cada setor, ajudando na criação dessa rede de apoio. Érika Prado conta: "o objetivo dessa ação é mostrar o quanto ir a Formula 1 é legal para mulheres, tirar a imagem de um evento com ambiente machista" e acrescenta que somente com mais mulheres no automobilismo o ambiente será mais sustentável para o público feminino.
Além das arquibancadas, o GLR também promove ações nos paddocks do automobilismo, aproximando as mulheres e o automobilismo, uma forma de incentivar que cada vez mais delas estejam no esporte. Para saber mais, conheça o perfil delas no Instagram! @girlslikeracingbr .
Sistema de acolhimento
Após reiterados relatos de assédio nas arquibancadas em edições passadas, a organização do Grande Prêmio de São Paulo implantou medidas que visam a segurança das mulheres no evento. As políticas adotadas foram: sistema de acolhimento da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo com equipe especializada em salas distribuídas pelo autódromo. Caso precise, o indicado é procurar algum funcionário do evento. Além disso, há a equipe do "Não se cale", o protocolo do Governo de São Paulo poderá ser acionado ao longo do final de semana em Interlagos, também com profissionais presentes no Grande Prêmio.




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